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Por que nos blindamos
emocionalmente?
Comprometimento consigo mesmo.
O que é de fato?
O desprezo é um
rompante da insegurança
Não puna seus filhos
pelos seus comportamentos
Autorresponsabilidade:
por que ela impacta sua vida?
Saber e não fazer
ainda é não saber
Vaidade:
um primeiro estudo
Campo Mórfico
O que ele tem a ver com você?
A terapeuta está de férias.
E agora?
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Por que nos blindamos emocionalmente?

Sintomas psíquicos e psicossomáticos são cada vez mais comuns e “compreendidos” como “normais em nossa sociedade”. ‘Vide’ a depressão, a ansiedade, a angústia e a síndrome do pensamento acelerado. Porém, essa tal normalidade, identifico apenas como um “aceite coletivo” à manutenção da blindagem emocional. 💥

Então por que nos blindamos emocionalmente?

Porque não é nada fácil se expor, principalmente para si próprio, às dores causadas por eventos traumáticos e dolorosos, além de expor aos outros as fragilidades sentidas e as expectativas afetivas frustradas. 😉

Porém é preciso, pois manter a blindagem é manter-se alheio, negado. 🙉 E a negação gera retração orgânica, impactando a saúde física e mental. 🙈 A negação gera retração social, influenciando relacionamentos pessoais, conquistas e prosperidade. 🙊

A negação blinda a vida. Claro, serve para manter uma certa “homeostase” psíquica, porém é preciso ir além dela. Dar atenção ao sacudir, ao se expor, ter coragem pra assumir e olhar para o que não está bom. Dar o basta para o que vai sendo “empurrado com a barriga” por anos e anos a fio. 😭

Sabemos! Mexer em eventos mal resolvidos traz a dor de volta, vívida no presente tal qual no passado. É difícil! 🤯

Porém é importante frisar que, em casos de negação permanente, a identidade tende a ficar cindida e o sujeito passa a criar realidades plausíveis e personalidades “brilhantes”, mas absolutamente desconectadas de si mesmas para “suportar-se” e também à vida. 😶

Augusto Cury usa a metáfora do teatro, o nosso Eu, que representa a nossa capacidade de escolha, e aponta a necessidade de retirá-lo da plateia e colocá-lo no palco da mente para poder se tornar o alvo principal do próprio foco. 🙃

Nas palavras dele, o Eu sabe gritar no mundo de fora, mas se cala no terreno psíquico. Faz, normalmente, o contrário do que deveria. Quem não tem coragem para se mapear tem grande chance de ficar intocável.

Um abraço, Andrea Fray

 

Comprometimento consigo mesmo.

O que é de fato?

Comprometimento é uma base estrutural de conhecimento a ser assimilado e praticado, pois para qualquer coisa que escolhamos fazer na nossa vida é preciso dispor dele. O comprometimento vem do latim ‘compromissos’ e representa o ato de fazer uma promessa recíproca. Partindo deste significado podemos dizer então que, comprometimento consigo próprio é prometer algo a si mesmo.

Por isto que te pergunto agora:

Você está se comprometendo com o quê para consigo mesmo? COM O QUE VOCÊ TEM SE COMPROMETIDO PARA RETORNAR O QUE QUER PARA VOCÊ MESMO? Tem sabido gerir o comprometimento? Você tem conseguido se envolver com atividades e atitudes que com retorno para si mesmo?

Comprometer-se é diferente de cumprir. Comprometer-se tem a ver com envolvimento. Cumprir é fazer. Ambos bons, porém pode não ter relação com o comprometimento. Cumprir pode ser mais um check verde na sua lista de pretensões e obrigações. Enquanto é intrínseco ao comprometimento a relação de retorno, do ‘devolver à si’ mesmo a satisfação e energia empregada. Comprometer-se consigo é poder ter conhecimento suficiente sobre seu universo próprio para poder fazer escolhas e realizações apropriadamente legítimas. Aí sim, quando se une cumprimento e compromisso...Uau! Integram-se recursos para grandes realizações e retornos.

 

Em parte a falta de lucidez sobre a natureza do comprometimento vem em função da educação moral-cultural-religiosa que distorce o conceito do COMPROMETIMENTO e do FAZER POR SI MESMO E PARA SI MESMO, associando este ato algo ruim.

Normalmente a temática do fazer por si mesmo, vem munida por uma CRENÇA COLETIVA CULTURAL pesada onde o fazer por si e para si só é ‘’permitido’’ se for cumprido com esforço, só havendo valor ou reconhecimento social se, o fazer por si, estiver correlacionado ao esforço. Notamos isto em frases usais do tipo: “Estou me esforçando...’’, ‘’Estou na luta’’, ‘’Sou um guerreiro (a), por isto mereço chegar lá!”

 

Há também a outra vertente coletiva-cultural distorcida sobre o conceito do ‘ fazer por si e para si’, que parte de julgamentos e críticas sobre o individuo: ‘’ você é muito egoísta’’, ‘’você só pensa no seu humbigo’’, ‘’Você tem que doar para o outro, se colocar no lugar do outro, ajudar e olhar para o outro’’ e então gera culpa.

 

Não digo aqui que estas frases estejam completamente equivocadas, no entanto, quando se trata da aplicação delas no contexto relativo a aplicação da energia do comprometimento para consigo mesmo, elas podem impactar negativamente, desviando primeiramente o sujeito de si mesmo e então de sua conexão com o sentido de sua realidade e bússulas internaa e, por consequência, acabar por bloquear a energia potencial para fazer girar o seu envolvimento para dar à individualidade o retorno à si mesma.

 

E, como já disse, por não termos instruções emocionais e comportamentais suficientes durante a formação de personalidade somando-se interferências que aprisionam a consciência na ignorância e impedem a gestão pessoal sadia, falha-se com o autocomprometimento na fase adulta.

Venho então chamar a atenção para o saber sobre si.

É preciso saber trabalhar na inteligência da natureza acerca da individualidade. É preciso aprender a lidar com ela em si. Lembrando que homem e natureza são uma mesma unidade. O homem é inteiramente Natureza em expressão humana. Assim, poder trazer à consciência este seu todo íntegro é essencial para que seja possível sua aplicação no cotidiano, utilizando do comprometer-se consigo como manifestação da Inteligência em seu poder de realização.

É preciso lucidez sobre o que é comprometimento, para depois ampliar a percepção sobre com o que você está se comprometendo de forma inconsciente e reajustar a força para onde sua consciência realmente almeja, para então, ter condição de retornar à si mesmo o que de fato QUER. Sempre existe, antes de qualquer ação, o nível de envolvimento que você tem consigo, com o seu todo, esta é a base por onde tudo o que existe e existirá, acontece: o comprometimento.

Suas REALIZAÇÕES DE VIDA, bons ou maus relacionamentos, doenças, escolha e profissão. O envolvimento com o que você emana está diretamente relacionado com o retorno que você terá - comprometimento. É uma LEI DO UNIVERSO.

Um abraço,

Andréa Fray.

 

O desprezo é um rompante da insegurança

Sacar um desprezo desferido é inicialmente tão complicado quanto compreender os diferentes tipos de choro de um recém-nascido. Como entender os motivos de quem não fala? Como entender a sutil aproximação e também o sutil afastamento de um ser que às vezes se mostra interessado em você e às vezes absolutamente não?!?

O choro expressa, a partir de todo o recurso que o bebê possui, a necessidade de algo que lhe é vital. O desprezo expõe uma resposta desprovida de inteligência emocional, na qual o ser utiliza da não expressão para demonstrar um arcabouço de sentimentos velados com intenção de ferir pela falta. Pode ser um familiar, um(a) parceiro(a) sexual, um(a) amigo(a), um(a) colega.

Quanto ao entendimento do choro, a vivência e o instinto orientam. Assim como a boa observação de acordo com frequência, intensidade, horários em que ocorrem e variação tonal do bebê… Vai ficando fácil entender esta linguagem e o relacionamento flui, ainda que impreciso. Quanto aos desprezos “velados”, os motivos são sempre imprecisos e o relacionamento segue aos solavancos, com caraminholas na cabeça e frustração.

Portanto, para entender a situação do desprezo, sugiro que se questione sobre a necessidade e a vantagem que a pessoa possa ter ao:

  • Manipular.

  • Ser aceita socialmente, independentemente de aceitar.

  • Querer sua admiração.

  • Cumprir um papel (familiares, por exemplo).

  • Querer algo muito específico que você tenha a dar em alguns momentos também específicos.

  • Não saber declarar fim definitivo à relação.

  • Ter medo de solidão.

  • Ter admiração exagerada por você e timidez ao revelá-la.

  • Comparar-se, diminuindo-se ou elevando-se.

 

O que todos têm em comum? Insegurança!

 

Importante frisar: Os mesmos motivos acima servem para você também compreender o porquê você ainda pode esperar ingenuamente algo de uma pessoa inconstante afetivamente e o porquê de mantê-la em sua vida.

Meu apelo é: segure-se em si!

Porque ao “segurar”, se apegar em algo ruim e disfuncional, você não está se segurando no que mais importa e realmente estabiliza a segurança: você no melhor que pode se dar!

Invista e acredite no melhor pra si. Visualize e imagine -se no melhor, vista esta nova roupa. Integridade e dignidade.

Rever quereres e permissões é libertador. Abra espaço para um novo você e a possíveis novas pessoas que realmente possam compartilhar e prezar pela sua presença e pelo seu valor.

Um abraço, Andréa Fray

 

não puna seus filhos pelos seus comportamentos

Então, imaginem vocês, como esse processo de aprendizagem se dá nas crianças, totalmente disponíveis a receber informação? A natureza humana exige o aprendizado por meio da referência de seus pais-cuidadores, o instinto é imitar. Assim, crianças imitam tudo a todo tempo, pois lhe é vital como mecanismo de sobrevivência biológica e social.

Crianças imitam tudo, e quando digo tudo, é tudo mesmo, até aquilo que você não sabe existente, mas se presente, será imitado.

E por que isto acontece?

Porque crianças ainda não têm filtros racionais para discernir o que lhes cabe, e, sensivelmente captam o entorno, nesse caso, o contexto emocional do ambiente onde vive e, principalmente o âmago afetivo-comportamental de seus cuidadores, que são para eles a fonte referencial de adequação à vida. Com isso posto, preciso que fique claro que a sistemática toda de espelhamento, o tal mecanismo de projeção que citei no início do texto, é profundamente orgânica. Vejam!

O estímulo do entorno é captado pela rede neural da criança que irá sendo formada cada vez mais a partir de um referencial afetivo com seus pais-cuidadores. Estímulo a estímulo, os neurônios montando novas redes de informação que estruturarão e modelarão a elétrica orgânica, de modo que as sinapses contribuam com as respostas desse indivíduo ao ambiente, e estes dizem respeito aos movimentos concretos de corpo no que concerne principalmente aos sistemas nervoso e imunológico. Assim, fala, tom de voz, aptidão, agilidade, emoção e comportamentos serão consequências de estímulos específicos captados em profundidade nuclear, ou seja, as crianças contém em si o âmago desses padrões comportamentais por eles estarem instalados em sua cognição (mente e psique) de forma vital. E é assim que repetem/repetimos, como que por instinto, alguns comportamentos.

“A brincadeira da vida é séria”, e a responsabilidade aos nos tronarmos pais, imensa!

Bom, e é aqui que a sistemática de aprendizagem acaba, invariavelmente, por gerar um espelhamento natural e orgânico entre pais e filhos, reforçado cada vez mais pela tendência genética.

O entendimento dessa dinâmica toda é essencial para que possamos conduzir uma educação mais sincera e humana. Pois, sem essa consciência, o que normalmente ocorre na educação familiar são a punição e a reprovação de comportamentos. A falta de acolhimento e a aceitação da natureza humana evidenciada nos filhos. Vemos, assim, ineficientemente, pais condenarem e culparem seus filhos por atitudes, hábitos, vícios e cultura transmitidas aos seus filhos pelo exemplo que eles mesmos dão. Querem interromper algo enquanto alimentam aquilo. Precisamos de uma nova consciência para este novo mundo.

Mas você me pergunta, principalmente aqueles que ainda não tem filhos: não é obvio? Perceber que os pais executam o mesmo que condenam?

E eu te digo: NÃO!

E você: Mas por quê?

Porque a maior parte de nossos comportamentos reside em nosso inconsciente. Grande parte do que se ensina é transmitido de forma inconsciente. E inconscientes, os pais somente irão enxergar os comportamentos que racionalmente não aprovam quando seus filhos os reproduzem. A sensação é de incômodo. Lembrem-se, sensação de incômodo é sempre um sinal de alerta, indicando oportunidade de reavaliação interna.

E, quando a criança incomoda, o que acontece, segundo a cartilha da velha educação? Uma intervenção ‘punitiva’, em vez do acionamento do mecanismo reflexivo sobre a real origem daquele comportamento. Mas como aplicar uma nova educação?

É preciso que a dinâmica natural de espelhamento fique clara aos pais para que eles, revisitando-se, modifiquem em si mesmos aquilo que esperam alterar em seus filhos. Essa é a sistemática dos relacionamentos. Não há outra via para uma educação mais coerente e efetiva, e relações mais saudáveis entre os entes queridos.

Precisamos de uma nova educação para um novo mundo!

Pais-cuidadores, seus filhos são consequências de suas estruturas biológicas, cognitivas e comportamentais. Atentem-se principalmente às crianças de até 7 anos de idade, nas quais o espelhamento fica mais evidenciado, porque elas ainda não contam com repertório de máscaras sociais e disfarces emocionais.

Pais, seus filhos entendem o estímulo punitivo quando bem aplicado, mas não o repúdio por meio delas ao que vocês são e praticam. Isso gera revolta! Não adianta “secar o chão e não fechar a torneira”. É preciso que atentem-se a vocês!

Olhar-se no espelho a todo o momento é o convite feito por nossos filhos com suas existências. Consideremos como algo insuportavelmente oportuno, pois eles facilitam, se aproveitarmos, o nosso desenvolvimento, proporcionando a maior chance de obtermos clareza sobre nós mesmos para ajustar o que for preciso.

 

Atentem-se a vocês! A eficiência da mudança comportamental está na autoconsciência, na ampliação de percepção sobre si mesmo, na aplicação da força de ação sobre as escolha que se faz perante a própria vida. Cuidem de suas tendências genéticas e epigenéticas. Explorem-as e, principalmente, conversem com seus filhos sobre a dinâmica inevitável do espelhamento, incentivando-os aos comportamentos que julgam os melhores, os frutíferos.

A educação efetiva e verdadeira mudança dos filhos exigirá a mudança de suas fontes constituintes referenciais.

Um abraço. Andréa Fray

É isso mesmo. Não há erro no título, nem na intenção da frase. Este texto tem por objetivo atuar como um alerta! A partir de um breve apanhado dos conceitos de genética, epigenética, teoria de aprendizagem e do mecanismo de projeção psicológico, venho chamar a sua atenção aos seus comportamentos para que a tempo os corrija em si mesmo, e não naqueles que o imitam, nesse caso, os seus filhos. Vamos lá!

Os filhos herdam a genética de seus pais, suas cargas estruturais biológicas, e também, tão importante quanto, a sua epigenética, a carga cognitiva e comportamental constituidora da personalidade que diz respeito ao modo de um indivíduo interpretar o mundo e lidar com a vida.

As teorias de aprendizagem de Piaget e Vigostky demonstram ser a imitação um dos mecanismos de aprendizagem mais primários e ininterruptos que existem, ou seja, até mesmo os adultos continuam aprendendo por imitação. Além disso, quanto mais afeto envolvido, maior aprofundamento do registo na memória.

 

autorresponsabilidade:

por que ela impacta sua vida?

Por que não somos autorresponsáveis?

 

Tendemos a trabalhar a autoconsciência a partir de um mecanismo que chamo de ‘corriqueiro’. Ou seja, o que se passa em nosso universo íntimo vai ao longo do tempo parecendo tão comum e corriqueiro… E é da natureza humana lidar com o corriqueiro de modo automático. Faz parte do funcionamento neural na ancoragem de aprendizados e também como modo de economia de energia… Desse modo, o que acontece na prática é o desligamento da atenção focada e a ‘assimilação’ de tal conteúdo como se já o dominássemos. Neste caso, o ‘TAL’ conteúdo seria o EU EM SI MESMO.

 

Sim!

 

Este EU MESMO, rico em potenciais natos e cheio de vontades, claro, também de disfuncionalidades e identificações com valores externos… Mas que passa a ser apercebido TAL qual UMA música de fundo num café. E é!

Normalmente é assim a condução da vida pelos humanos, com o eu no automático, respondendo aos eventos de modo primário, instintivo até. Dessa forma, passando ou sobrevivendo à vida aprisionado, normalmente a loopings hipnóticos, ou seja, revivendo e alimentando traumas e para enfrentá-los, contando apenas com os recursos apreendidos na primeira infância e adolescência, com os valores morais e com as respostas emocionais antigas dadas aos traumas ou eventos quando em suas origens.

 

O que acontece é que as impressões traumáticas foram vivenciadas na primeira infância e quando o indivíduo realmente é um tanto limitado em referenciais para conduzir sua percepção de forma efetiva e também é limitado pela própria autoridade.

 

Quando revivemos os mesmos traumas e os alimentamos na vida adulta, normalmente também revivemos a resposta emocional dada a eles… Sem a clareza de que a criança cresceu e que agora se pode e precisa adquirir NOVOS RECURSOS para evoluir.

Avise sua criança que ela cresceu!

Mas, então, o que é autorresponsabilidade? É mais que um conceito. Autorresponsabilidade é um estilo de vida, onde você é responsável 100% por tudo que acontece com você. 

Responsabilidade, segundo o dicionário da língua portuguesa, significa o dever de se responsabilizar pelo próprio comportamento ou pelas ações de alguém; obrigação. Comportamento da pessoa sensata; sensatez. Natureza ou condição de responsável, que assume suas obrigações. DESTACA-SE nessa descrição os termos DEVER e OBRIGAÇÃO, duas palavras das quais normalmente a maioria das pessoas querem fugir – e você sabe por quê? Porque estão relacionadas à emoção de culpa e de punição associadas a memórias da primeira infância, onde o indivíduo está recebendo suas lições de adequação moral e social e também internalizando as relações afetivas envolvidas às ordens: incapacidade x capacidade, aprovação x desaprovação, desprezo x acolhimento.

Tenho um exemplo de um caso, muito simples, que exemplifica exatamente:

 

Uma mãe com seu filho em sessão. O filho, de 7 anos, disse que se sentia muito mal de não arrumar a cama dele direito. E a mãe comentou que parte da educação que ela propõe inclui iniciativa e participação nas tarefas da casa. Arrumar o quarto pela manhã é uma delas. Ela disse que começou o ensinando, depois ajudando, depois, deixando com que ele arrumasse do jeito que desse, e aí começaram os ‘desleixos’, segundo ela, e o filho dizia ‘Estou fazendo o meu melhor’… Claro, disse a mãe, “Ás vezes, ele tem um comportamento de preguiça e depois de muitas vezes explicar e ajudá-lo no processo, ele ainda parecia demonstrar pouco interesse e eu espero que ele faça como eu disse que tinha de fazer."

Como disse, é um exemplo simples, mas que expõe um mecanismo que poderia reforçar a incapacidade e frustração quanto ao si mesmo, caso a mãe não tivesse se atentado a tal sentimento da criança e a estimulasse a fazer o seu melhor, sem julgá-la ou taxá-la.

 

Ambos conseguiram resolver esta dinâmica retroalimentativa de frustração, pois a mãe também passou isto na infância, mas de modos mais humilhantes. O resultado foi ótimo! O filho passou a arrumar a cama muito melhor do que se esperava, e a obrigação passou a ser gostosa, ou seja, agora, um reforço da capacidade, um momento prazeroso de conquista do melhor.

Tudo o que o filho queria era a aprovação da mãe e a obrigação o levava a sentimentos ruins, porém ele teria de se guiar pelo referencial da mãe para conseguir aprovação e afetividade e desproveria-se do próprio referencial… assim, obrigação, incapacidade e frustração estariam sempre juntos – seria impossível resolver.

Notamos nesta historinha simples e cotidiana nas famílias uma situação relacionada a dever/obrigação geradoras de sensação de incapacidade e de culpa. Isto tudo tem a ver com autorresponsabilidade. Voltando ao significado…

Etimologicamente, a palavra responsabilidade vem da palavra RESPONSUS, do particípio do passado de RESPONDERE, ou seja “responder, prometer em troca’’, RE – de volta, para trás, mais SPONDERE ‘’garantir, prometer’’.

Aí fica mais evidente o que coloquei acima, onde a resposta a um evento é uma promessa que garante algo, logo, se você cresce com um senso prejudicado e desviado de resposta, sempre garantirá um sentimento x ao evento que a exige.

 

Atualmente a responsabilidade é significada por muitos terapeutas como a habilidade em dar respostas a si mesmo. É muito provável que para compensar o senso de obrigação e punição advindos do uso sacrificado culturalmente do conceito, onde responsabilidade está associada a dever e obrigação e punição.

 

Mas, então, o que é uma habilidade? É uma característica ou particularidade daquele que é hábil; que possui capacidade, destreza, agilidade, vem do latim, habilitatis. Habilitação para…

 

E por quê?

 

Vamos lembrar de que cada um de nós advém de uma trajetória específica de assimilações da realidade e então codifica o eu e a sua própria capacidade a partir da educação, da interação com o meio e das respostas que dá a partir desta leitura.

Uma pessoa pode ter ouvido dos pais que ela sempre perdia tudo… A outra que era muito ordeira… A outra, as duas informações, e a partir delas foi criando aspectos de identificação… Sabe aquele tal ‘’EU SOU ASSIM’?

 

Ele diz respeito à identidade ou ao ego criado por conta da identificação com uma informação recebida de alguém(ns) do entorno relacional e também fortalecido pelo modo próprio de se sentir o dado/característica diante do evento e diante da afetividade e aprovação X desaprovação com os pais/cuidadores. Assim, é gerada uma resposta, um comportamento, ou seja, uma habilitação para modelar a sua RESPOSTA EMOCIONAL ADAPTATIVA.

Então quando se diz eu sou assim, não quer dizer que a pessoa seja assim, mas que ela está identificada com tal característica, normalmente permitida, habilitada pelo referencial externo ‘VOCÊ É ASSIM’. O referencial externo é muito importante, o que cito como A DIALÉTICA DO SER, PORÉM, NADA SE COMPARA À HABILITAÇÃO DO EU PARA CONSIGO MESMO, LIBERTA DA HABILITAÇÃO EXTERNA, muitas vezes, ignorante e até manipulatória.

 

Quantos casos de pessoas atendi que vinham trabalhar seus estigmas. 

 

– "Sempre me disseram que sou muito egoísta", a pessoa dizia.

Resultado:

Esta pessoa, para provar o contrário, na tentativa de habilitar o não egoísmo, fazia tudo pelos outros, em sacrifício e o pior, nunca era reconhecida por seus feitos… Claro! Neste caso, a pessoa está refém do referencial externo, buscando no outro sua alforria.

Outro exemplo:

– Eu faço tudo para todo mundo e olha o que acontece…

Já ouviram isto? É importante, tal qual no exemplo do garoto arrumando sua cama, mergulhar na própria história para reconectar-se à origem do evento, ao momento em que você, sem saber, permitiu dar ao outro o poder sobre você para, então, retomá-lo.

Enquanto crianças, eram os cuidadores os donos do cedro, mas na fase adulta é preciso buscar pelo próprio! Por isto, em processos terapêuticos é preciso revisitar a infância e reordenar o processo, reprogramando neuralmente a psique.

Por isto, é tão importante desestigmatizar o EU SOU ASSIM. E se conforta, é comprovada pela neurociência a habilidade de refazimento da eletroquímica sináptica, ou seja, quanto mais se treina, maior é a capacidade de cognição, portanto, maior será a neuroplasticidade. O que venho dizer é: a capacidade é modelada, passível de reprogramar-se. Não existe o:

Eu sou assim e pronto, não vou mudar!

A capacidade tem relação com aprendizagem e, neste caso, estamos falando do sistema funcional cerebral de aprendizagem, mas aqui focado no aprender sobre si mesmo. Esse si mesmo é resultante do funcionamento de seu sistema orgânico, de seu histórico social e cultural, das interações e relações, das oportunidades, do temperamento e da alma/espírito/natureza única.

Para que você seja mais habilidoso em dar respostas, ou seja, ser autorresponsável, é preciso conhecer e revisitar a sua história, compreender alguns pontos cruciais que motivam determinadas respostas, muitas vezes disfuncionais, mas que existem para defender a própria integridade. É preciso conhecer sua epigenética, a sua biologia, é preciso conhecer a sua essência…

Temos ainda uma educação emocional falha. Hoje temos muito acesso a informações de autoconhecimento, mas o trabalho real, profundo, ainda é mínimo. Muitos dos conteúdos de autoconhecimento que se ‘vendem’ podem iludir a mente no trabalho do autoprocesso e as aplicações destes conteúdos não estarem afim com a natureza do indivíduo, por isto terapia é tão importante, pois considera você, nas suas assimilações, na sua unicidade.

Um abraço, Andréa Fray

propósito deste texto é apresentar informações sobre  Autorresponsabilidade propondo reflexões sobre atitudes corriqueiras que reforçam a destituição do próprio poder pessoal e assim possibilitar um reajuste de autoconsciência para que você se livre de comportamentos nocivos e adentre o universo do seu melhor, onde o seu melhor é, neste caso, assumir-se a si próprio e, então, responder ao mundo a partir desta condição.

consciência sobre autorresponsabilidade é fundamental no desenvolvimento de um indivíduo emocionalmente saudável e também na construção de relações mais harmônicas, sejam estas não só relações com o mundo externo – profissional, afetivo, familiar – como relações com o mundo interno – saúde, cuidados consigo, beleza, autoamor, autovalorização e a lida com fragilidades e potenciais natos.

 

Então, vamos lá! Partiremos de teorias psicológicas conjugadas a exemplos da vida real para situar a informação, pois não há consciência possível deslocada da realidade passível. É preciso concretizar o que se entende!

 

saber e não fazer ainda é não saber

Por que será que às vezes é tão difícil a conexão entre o conhecimento teórico e a sua aplicação, principalmente no âmbito do autoconhecimento, do saber de si? Quantas vezes você disse: “Ah! eu sei disso, mas…” na prática acaba não conseguindo aplicar o que diz saber! Simplesmente não o faz.

Para compreender esses porquês, primeiramente abordaremos o conceito do que é sabedoria e inteligência. Segundo a PNL, sabedoria é inteligência experimentada. Pois é! Sabedoria é a resultante de inteligência aplicada, ou seja, saber só é saber se executado na prática.

E o que é inteligência, então?

A inteligência é um conjunto de características próprias de um indivíduo que o capacita ao “experienciar”; é uma capacidade única desenvolvida por interações individuais frente a qualquer tipo de evento, situação, atividade, fenômeno, os quais aqui chamaremos de estímulos.

PAUSA!

A relevância deste artigo está nas próximas palavras: inteligência tem a ver com você e seu cotidiano, sendo responsável por tudo o que você conquista ou deixa de conquistar, tem a ver com o como você se relaciona e se expressa, pois, sendo a inteligência uma faculdade de compreensão e adaptação que compõe a estrutura humana e relaciona-se com a capacidade de captar e expressar o mundo, ela dita e materializa as qualidades das suas relações com tudo o que diz respeito a você: área familiar, profissional, financeira, social, física, afetividade, assertividade, eficiência, capacidade de discernir etc.

VOLTANDO…

Para saber como aplicar um saber, é preciso antes conhecer como se dá o processo de aprendizagem. Para tal recorreremos à área da neurociência cognitiva e à teoria do filósofo e psicólogo suíço Jean Piaget, pioneiro nas construções sobre o saber. Segundo Piaget, o processo de aprendizagem acontece quando a interação física ou mental do indivíduo sobre estímulos provoca um “desequilíbrio” no “sistema de saberes’’ já estruturado e já organizado, os chamados esquemas, do indivíduo. E esse desequilíbrio exige modificações cognitivas no sujeito, estas são chamadas de assimilações (quando há a tentativa de o indivíduo encaixar a nova percepção em um esquema preexistente) ou acomodações (ações do indivíduo em ajustar-se a um novo objeto/situação, a fim de assimilá-lo e de se adequar a ele), gerando assim construções de novos esquemas, de novas organizações, e então de “novos conhecimentos”, de um novo saber específico ou de uma adequação, resultando em um indivíduo transformado, e/ou adaptado.

Quem orquestra e conduz todo esse ciclo é o sistema nervoso central, que é também, sabidamente, o responsável por estruturar as atividades voluntárias e involuntárias do corpo humano e claro o funcionamento dos sensos, dos órgãos dos sentidos.

Tá, mas por que agora falar dos órgãos dos sentidos? Porque são eles que atuam como a interface de captação e interação entre o indivíduo e os estímulos advindos do meio.

Para que haja aplicação eficiente de um saber, toda a interação do indivíduo com um estímulo, no momento da aprendizagem, deve estar amparada pela qualidade com a qual a informação é captada e então processada pelo sistema nervoso central. E isso é maximizado com o “investimento nos sensos”: investimento no potencial de audição, tato, olfato, paladar e visão. Os sensos precisam estar apurados para que a captação de estímulos seja realizada da maneira mais legítima possível, contribuindo para uma interpretação cognitiva mais legítima e uma resposta comportamental mais adequada ao meio. Dessa maneira, é essencial que entendamos que tanto a captação como o processamento das informações pelo cérebro envolvem aspectos que são dependentes da qualidade do organismo em receptá-las, ou seja, da qualidade e bom funcionamento dos órgãos dos sentidos.

Mas não são só os sensos que atuam de maneira primordial nesse processo. Emoção, motivação, atenção, socialização e memória são fatores responsáveis pelos níveis de envolvimento do indivíduo com o estímulo, pois interferem no processo de aquisição de informação.

A emoção contribui de forma a fixar mais ou menos um estímulo, ou seja, quanto maior for a emoção no momento do envolvimento com o estímulo, sendo ela prazerosa ou não, maior será a lembrança do estímulo e a significação dele para o indivíduo.

A motivação é o fator que contribui para a disposição do sujeito em captar novos estímulos, o posiciona de forma a poder viver o desconhecido, o novo, a encarar e interagir com os novos estímulos. A curiosidade está completamente relacionada à motivação, pois dispara o fator motivador, predispondo o sujeito a aprender.

A atenção tem a ver com a “quantidade” de interesse despertada no indivíduo pelo estímulo e esta é acionada de acordo com o quanto faz sentido para o sujeito aquele dado. Quanto mais, mais atenção será dada ao evento.

Socialização diz respeito às interações do indivíduo com outras pessoas, com a natureza, com a linguagem verbal, com os valores e com a cultura que o rodeia. A socialização é importante porque ela induz a estruturação dos filtros para a captação e interpretação dos estímulos, pois o estímulo tenderá e será vivenciado de acordo com conceitos pertinentes ao meio em que o indivíduo se encontra.

 

A memória relaciona-se às repetições e ao quanto o estímulo captado afetou o indivíduo, assim sendo, quanto mais repetições, mais absorção do conteúdo proporcionado pela interação.

 

A aprendizagem é dependente da qualidade dos órgãos dos sentidos e do nível de envolvimento psicoemocional e “permissões” socioculturais na interação do indivíduo com os estímulos. Ela tem relação com as experiências sensoriais (captação de estímulos) de um indivíduo frente ao seu meio, mas também com a maneira com a qual um indivíduo conduz suas experiências, e estas, por sua vez, estão totalmente interligadas com a qualidade do organismo em realizar tais captações. A gestão entre captação e interação com estímulos é que formará a inteligência de cada pessoa, ditando assim suas interações e seu desenvolvimento humano, expresso e concretizado em termos de comportamento, ou seja, de sua maneira de encarar, viver e conquistar a vida.

O saber verdadeiro é o que está em suas células e portanto dificilmente será esquecido.

Por isso, lhe pergunto:

 

Como está o seu corpo? Como está o funcionamento de seu processamento mental? Como andam as suas emoções? O que tem sentido? Isso tem contribuído com a aplicação de seus saberes? Você tem se proporcionado condições físicas e emocionais saudáveis para captar e exprimir o seu melhor? Com quais esquemas você tem se identificado? Quais emoções estão estruturando seus esquemas? Isso tem ajudado você? Espero que sim!

Um abraço, Andrea Fray.

 

Vaidade:

um primeiro estudo

Que atire a primeira pedra... Quem já não se vangloriou por causa de um elogio? Quem não se orgulha de ser conhecido como vaidoso? Quem já não se sentiu sobrepujado por um comportamento vaidoso de alguém?

São muitas as atribuições conceituais à palavra vaidade. Mas, afinal, o que é a vaidade? Pois bem, para responder vamos recorrer à etimologia da palavra e aos significados apresentados no dicionário. A vaidade, conhecida por ser um dos sete pecados capitais, é um termo originário do latim – ‘’vanitas, vanitatis” – que, curiosamente, significa VACUIDADE, ou seja, o que é próprio do vácuo, VAZIO ABSOLUTO!

No dicionário da língua portuguesa, vaidade é: 

Substantivo feminino; Uma qualidade do que é vão, vazio, firmado sobre aparência ilusória; A valorização que se atribui à própria aparência ou a quaisquer outras qualidades físicas ou intelectuais, fundamentada no desejo de que estas sejam reconhecidas ou admiradas por outrem.

Somando-se a todos estes significantes, pergunto a você, leitor:

• Se a vaidade é uma qualidade do que é vão e fundamenta-se na admiração alheia, sendo tal qualidade baseada em vazio, o que é de fato esta qualidade? 

 

Vazio + vazio = vazio?

• Será o comportamento vaidoso uma necessidade absoluta de preencher tal vazio (vazio de si?) com uma ou mais qualidades que a própria pessoa admira e deseja, mas sente não as possuir? É algo que está aos seus próprios olhos, mas que a pessoa não vê?


• O olhar das outras pessoas é, então, um espelho que refletirá a mais convicta imagem do que se quer ser, mas não o é? O olhar do outro é uma possibilidade de ser?

• O olhar do outro é uma ferramenta para um reconhecimento um pouco menos vazio?!

 

Que dor!

Podemos dizer que o vaidoso, então, engana-se ao enganar aos outros? Finge alimentar-se e satisfeito sem nunca ter nada ingerido, sem nunca ter sentido um único gosto! Fantasia?! Um ator!

Segundo S. Tomás de Aquino, a vaidade é de forma indubitável o pior dos sete pecados capitais, sendo este, em sua visão, o responsável pelos outros seis. Diz: “Onde não há vaidade, não há gula, porque o alimento é visto como sustento, e não como objeto inanimado dos desejos – E, sabemos da natureza dos desejos, inesgotável. Basta realizá-lo que logo surgem outros tantos. – Sem vaidade, a avareza perde sua razão de ser, levando consigo a inveja, pois não há por que malograr a felicidade alheia, ou seja, não há comparações.

 

À ausência da vaidade segue a da ira, porque os julgamentos tornam-se lúcidos, as imperfeições de outrem, similares às nossas, posto que inerentes ao ser. Quando a vaidade não viceja, a luxúria descobre-se supérflua e desnecessária. Sem vaidade, não há preguiça, pois inexiste o orgulho por nada fazer para se ganhar a vida”.

Já Schopenhauer, em seu livro Metafísica do Amor, conclui que “a vaidade é o desejo de despertar nos outros a convicção de sua superioridade, com a esperança secreta de chegar por fim a convencermos a nós mesmos. A vaidade é faladora e precisa de aplausos”.

E eu, que vos escrevo, concluo que:

‘’A vaidade é um sentimento sutilmente perigoso, empobrecedor e limitante, dependente de sentir o que se é a partir da manipulação dos olhares e aplausos alheios de forma que o ser só se reconhece a partir da aprovação e validação dos outros’’.

Sigamos em frente com a coragem de nos vermos em nosso tamanho real, com forças e fragilidades, confiantes na abundância do universo e na infinitude do tempo. Podemos ser apenas o que somos hoje, no aqui e no agora!

Um abraço, Andréa Fray

 

Campo mórfico

o que isso tem a ver com você?

Em tempos de transformações tão explícitas no planeta e na humanidade, é de suma importância abordarmos o ‘funcionamento do invisível na natureza’, para refletirmos sobre o poder de ação de cada indivíduo e sua interferência na trajetória do coletivo.

A Teoria do Campo Mórfico explica o que é um sistema e como ele funciona.

Em 1981, o biólogo e bioquímico Rupert Sheldrake, eleito como um dos 100 maiores líderes globais em 2013 pelo Instituto Duttweiler em Zurique, na Suíça, lançou os livros “Hipótese da Ressonância Mórfica” e “Uma Nova Ciência da Vida”, contendo sua Teoria Geral de Sistemas, além de uma série de formulações holísticas, passíveis de demonstração, que ajudaram a compreender como os organismos adotam as suas formas e seus comportamentos característicos.

Segundo o cientista, cada entidade de átomos, moléculas, cristais, organelas, células, tecidos, órgãos, organismos, sociedades, ecossistemas, sistemas planetários, sistemas solares e galáxias estaria associada a um campo mórfico específico que, distribuído imperceptivelmente pelo espaço-tempo, conecta e organiza todos às unidades a eles associadas.

Os campos mórficos seriam, então, estruturas modeladoras da forma e do comportamento de todos os sistemas do mundo físico.

Para facilitar o entendimento da Teoria dos Sistemas, Ken Keynes Junior escreveu uma fábula alegórica exemplificando o funcionamento do campo mórfico: a fábula do centésimo macaco. Você já ouviu falar?

A história se inicia narrando a realização de uma pesquisa científica em uma ilha isolada na China para avaliar os hábitos alimentares de macacos. Keynes conta que era do conhecimento de todos os pesquisadores o comportamento alimentar habitual dos animais de levarem diretamente à boca as batatas-doces oferecidas para comer. Porém, certa vez, um macaquinho resolveu fazer diferente: levou a batata ao mar para lavá-la antes de comer. Assim, pouco a pouco, os cientistas notaram alguns dos outros macacos da ilha repetindo o mesmo movimento daquele filhote e, com o passar do tempo, observaram uma modificação completa dos hábitos a partir da aderência do centésimo macaco ao novo comportamento. Assim, todos os mais de mil macacos da ilha passaram a lavar a batata também, antes de comerem.

No entanto, o mais surpreendente ocorreu na análise de macacos situados em outras ilhas distantes daquela, onde esses, sem terem tido contato algum com os da primeira ilha chinesa, também passaram a lavar a batata no mar antes de a ingerirem.

 

Dessa maneira, conclui-se que a partir de uma simples iniciativa de um indivíduo e da adesão de um número preciso, neste caso, de 100 macacos, todo um sistema comportamental foi alterado e isso devido à conexão por um campo mórfico organizador de todos os seus componentes.

A teoria de Kupert na história de Keeynes abrange a Biologia, porém seu mecanismo extrapola para as áreas da Psicologia e Física, demonstrando objetivamente a responsabilidade de um comportamento individual e o quanto nós, seres humanos, estamos a todo tempo influenciando a operacionalização da vida e por ela sendo influenciados.

 

Diante de um mundo cada vez menor e sempre recheado de benéficos ou prejudiciais movimentos, incentivos e estímulos, conceitos e práticas ideais, vale refletir qual tem sido a nossa iniciativa particular. Qual tem sido a nossa vibração preponderante e onde ela ‘levará’ a todos ao seu redor?

Chegar a uma percepção dessas não é nada simples, por isso mesmo tal consciência de funcionamento do sistema é importante, de modo a auxiliar o administrar e o refletir individual e coletivo sobre o que estamos fazendo a cada momento, pois somos natureza poderosa e por ela somos regidos.

Um abraço, Andrea Fray

 

a terapeuta está de férias. E agora?

Não é fácil lidar com as férias do terapeuta. E, saibam, o terapeuta também tem suas preocupações com essa fase de distanciamento. Para o profissional e para o cliente, o período de ausência pode gerar receios quanto a crises desassistidas, por exemplo.

Porém, tanto o profissional como seus clientes devem tirar férias do processo. Não só para o óbvio descanso, necessário à recuperação do trabalho realizado, demandante a ambos, mas, principalmente, para possibilitar ao assistido:

👉 maior treino do autossuporte, da autogestão;

👉aplicação e fortalecimento das novas consciências adquiridas;

👉 aplicação das ferramentas de autoanálise e percepção do Eu de forma mais vital, ou seja, realmente é preciso, mais do que nunca, contar consigo;

👉 insighs novos sobre assuntos tratados em sessão, ou seja, fichas mais profundas vão caindo…

Como terapeuta, deixo sugestões produtivas para lidar com esse período:

👉 Registre suas percepções!

“Pescou” algo sobre si mesmo, suas relações, comportamentos, história, não se desespere. Você não “perderá” essa informação. Você poderá escrever em um caderno, livro de anotações, no celular ou no computador. Vale até um gravador. Registre.

👉 Use mais seu corpo! (isto é importante sempre!)

É comprovado que a prática de exercícios físicos aumenta o nível de hormônios que trazem bem-estar e diminuem a ansiedadeInsistir no cuidado consigo garante mais segurança na Gestão do Eu frente a situações cotidianas ou de maior estresse. Coloque-se à prova!

 

👉 Informe-se sobre o retorno do terapeuta.

Informe-se sobre as possibilidades de contato em urgência e, se possível, deixe a sua próxima sessão agendada com antecedência para o período de retorno.

Isso garante maior tranquilidade.

👉 Em caso de urgência, acione o seu terapeuta pelos contatos acordados para tal.

Não são todos os profissionais que permitem essa abertura.

Porém, alguns profissionais deixam seu e-mail ou telefone particular ou ainda o de sua secretária, especificamente para casos de urgência.

👉 DESCANSE, se dê um tempo também.

O ócio criativo é o mais produtivo para percepções.

Se ficar à vontade, compartilhe suas alegrias e angústias sobre o período de férias da terapia.

Um abraço, Andrea Fray

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